sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Um


Olá!

Faz tempo já que não escrevo assim, despreocupadamente, sem narrativa, sem liricismo, sem figuras de linguagem, sem poesia.

Só o pensamento fluindo através das palavras que vão surgindo. E mais nada.

Isso é mais um update, sei lá. Algo que eu quis escrever pra mim mesmo. Um recado pra eu mesmo ler no futuro e lembrar.

Hoje é dia 11 de Outubro. É uma data péssima. Se não sabe porque, procura meu post nessa mesma data no ano passado. Vai entender rápido.

Mas hoje eu to mais otimista. Não fumo há seis dias, to tentando me manter são o máximo de tempo possível, mas sei que inevitavelmente vou me entregar ao álcool no final de semana.

Estou feliz.

Sim! Feliz. Não me pergunte como nem porque, mas minha auto-estima tá bem há um tempo, minha cabeça está menos agitada e eu estou mais relaxado. Ainda não consigo dormir direito, do mesmo jeito, mas tudo bem. Tenho amigos novos, novos hobbies, novas ideias, novos programas, um pouquinho de dinheiro no bolso. Tá tudo bem.

Notícias mega rápidas:
- Quase fui demitido hoje (isso se não deixaram pra me demitir na segunda).
- Minha banda lançou seu primeiro álbum essa semana (YEAAAAAAAAH!!)
- Pretendo retomar meu livro nesse fim de semana. To no quarto capítulo. Um dia posto aqui.

Mas ainda sim é 11 de Outubro. O primeiro dos sete dias de inferno astral extremo.

Vamos lá, 7 dias, 7 círculos do inferno e nenhum cigarro pra me ajudar.

É que o tem pra hoje.

"Balance - i'm losing it. The Ground beneath does not exist
Your a match that can't be lit. Spark a Flame - Burn Infinite."


terça-feira, 8 de outubro de 2013

O Monstro; O Armário.

Havia um monstro dentro do Armário.

Pelo menos é o que jurava o garoto. E quase todas as noites, o pai entrava no quarto, acendia as luzes, abria o armário e mostrava para o filho que não havia nada além das roupas, caixas e cobertores. E o garoto se tranquilizava, mas sabia que o monstro estava lá. Mesmo com a porta escancarada, ele sabia que havia um monstro e que ele estava à espreita todas as noites.

Era um garoto comum. Tinha onze, doze anos, mas parecia mais novo. De manhã cedo ia à escola, à tarde tinha um ou outro afazer, jogava bola com os outros garotos de onze ou doze anos. Jogava videogame com os outros garotos de onze ou doze anos. Ficava até tarde vendo putaria sem que a mãe dele soubesse como qualquer garoto de onze ou doze anos.

A única razão para vê-lo como um garoto diferente dos demais era o medo irracional que o garoto tinha do armário - e do monstro que supostamente vivia lá.

Somente uma coisa metia mais medo no garoto do que o armário: os seus próprios pais.

Vez ou outra, ele ouvia conversas mais ríspidas. Logo, se transformavam em ofensas, logo em gritos. Em pouco tempo ele ouvia objetos sendo arremessados e quebrados pela casa. Ele não reconhecia mais os próprios pais. Nesse momento, o temido Armário virava refúgio e o temido monstro, um amigo.

Trancado dentro do armário, o garoto esperava a tormenta passar. Mas ali via somente sua raiva aumentar. Aos poucos, sentia mais medo do mundo de fora do que do monstro que havia dentro do armário.
E fez isso desde que era apenas um garotinho no pré-escolar até pouco antes de entrar no Ensino Médio. Um pouco antes das garotas, dos amigos novos, das primeiras impressões de como era rude a vida em sociedade. Um pouco antes de perceber que os seus pais é que alimentavam aquele monstro.

Raiva, medo, angústia, tristeza. O garoto se trancava no armário e nunca mais queria sair de lá. A não ser que fosse para mudar tudo. Rasgar no meio aquele mundo de fora que ele conhecia. Mundo que o amedrontava mais do que o próprio monstro que o atormentou por toda infância. Só sairia daquele armário se fosse para destruir tudo aquilo que lhe torturava.

Então saiu. Nunca mais voltou.

Viram seu rosto nos noticiários, souberam dos planos, souberam de tudo. A tragédia em rede nacional rendeu lágrimas aos espectadores pelas almas perdidas dos jovens, rendeu a indignação com a frieza do executor e os aplausos mórbidos quando chegou a notícia de que ele mesmo acabou com a própria vida.

Seus pais pararam de brigar, nunca mais tiveram energia para isso. Sua consciência os torturou para sempre. O peso da vida de seu próprio filho era demais para carregar. O peso das vidas que levou consigo era ainda mais insuportável.

Sete dias depois, a porta da escola virou um santuário com velas e cartas com aquelas palavras que nunca puderam ser ditas em vida. O silêncio tomou conta do pátio e ninguém entendia o porque.

Havia mesmo um monstro dentro do Armário.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Abstinência.

E retorna aquela sensação de impotência, de fraqueza, de vulnerabilidade.

Como é viver sem depender de nada? Seria essa a verdadeira liberdade?

Enquanto alguma coisa derrete meus pensamentos e não me deixa juntar palavras, símbolos e gestos de maneira congruente, sinto um estranho formigamento por todo o corpo. É como se tivesse dormido pendurado em algum lugar.

Já mataram alguns milhões de judeus com o mesmo monóxido de carbono que colocamos pra dentro do nosso organismo todos os dias. Ele vem caprichosamente embalado no rolinho branco de celulose. Basicamente, um rolinho de câncer.

Se pelo menos tivesse uma bebida pra me acalmar... Afinal, todo mundo sabe: pra sair de um vício, deve-se entrar em outro. Foi assim sempre: Você saiu da minha vida, a ela entrou. Ela vai sair, alguém tem que entrar. Ainda não sei bem quem. O Tempo dirá.

A gente se arrisca, chega na beirada do inferno e volta pra contar como foi.

Por hora, só posso dizer que é um alívio sentir abstinência de algo que não seja você.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Unnamed

Everynight it seems to get more senseless
Even though i still come back to it at late nights before i sleep
It's running through my mind while i take pictures of what is left here with me
"Pick up the pieces and rebuild it all again"
It's so much easier to say

Why can't i move on?
Why can't i fall in?
Just show me how you keep believing
How can i release it all?
I'm sinking. I'm sinking

I'm running out of words to say
I run the pen through snow-white paper trying to bring this to an end
I've seen it all in books and stories and should know it'd be like this
If you want to win then you have to pretend
It's so much easier to say

And i look out of my window just to see if i can see something that i could point as valuable. And there so many places and so many people outside.
And i pray everyday for anybody or anything to let me breathe. I always told you being left behind is not the same thing as being left aside.
Cuz i know both.

There are other ones out there
and it remarks i'm not the only one
with the lights still on

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Por um segundo

E levantou, cheio de confiança. Esqueceu do seu jeito introspectivo, da suas vestes relaxadas, da forma como parecia que iria tropeçar ao andar, da forma física nada exemplar, na aparência nada sedutora. Nada disso importou. Atravessou o salão e tirou ela pra dançar.

E ela aceitou.

E noite adentro dançaram como se não houvesse amanhã e ele guardou pra si aquele momento mágico. Aquele momento onde a ficção parece ser real, onde o idealismo vale a pena, onde as aparências não valem tanto. Por um segundo ele sentiu que o amor poderia existir de verdade como nos filmes e nos livros. Um pequeno momento entre segurar a mão dela e tirá-la para dançar até o fim do baile.

O mundo se coloriu uma vez, só uma vez. E ele pode se iludir pensando que tudo teria um final feliz.
Então chegou a manhã de Domingo e ele voltou pro mundo real.

E só.

Uma lista arruinada

Não há momento mais triste (e também mais belo) do que aquele em que as cores das paredes de seu sonho começam a desbotar. Tua casa desaba e toda a cera derrete, tudo que reluz torna-se opaco. As máscaras caem, os rostos deformados surgem no lugar dos vastos sorrisos de mentira. E o tempo fecha, as nuvens escurecem e sangram a chuva negra que inunda as ruas e casas.

Aquela sua lista de metas, planos e sonhos está arruinada. Você entra no seu carro e parte sem destino na madrugada ouvindo qualquer música. Não sabe bem para onde está indo, não sabe o que pensar. Preso, mais uma vez, no paradoxo de se mover sem sair do lugar.
E nem sequer houve tempo para um beijo de despedida, um abraço. Talvez um "até mais", um "até logo". Ou simplesmente um mais sincero "adeus".

A noite te engole enquanto dirige pela cidade deserta de madrugada quando todos já foram dormir, mas tua alma acende e acorda como nunca antes. Você acelera o carro, eu, a caneta. Atropelo as vírgulas para descrever como você simplesmente segue sem tirar o pé do acelerador.

E eu sei que você sabe que as maiores escapadas surgem nos lugares mais inusitados. No banheiro sujo de um bar qualquer, na beira de uma estrada de madrugada, na fila do banco pagando a conta de luz, na cama de um quarto de hotel barato. Ou ainda preso nas ferragens do seu carro no fundo de um rio.

Não importa. O que importa é que a catarse sempre vem logo depois do fundo do poço, logo antes da redenção. Pelo menos é o que dizem. O fundo do poço conheci bem, a catarse está aí, mas a redenção...
Essa ainda não passou por aqui.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Pra se sentir melhor

Isso não é uma indireta. Qualquer um que nos conhece vai saber pra quem é esse texto.

Talvez seu maior mecanismo de defesa, desde então, tem sido mentir pra si dizendo que "foi melhor assim." Ou então que "não era pra ser".

O caralho que não era.

Todo mundo sabe os "quem", "comos" e "porques". E todos sabem que as coisas poderiam ser como eram até hoje se não fosse por você jogando o seu saco de merda no ventilador. E até hoje não entendo se foi você que mudou ou só a máscara que caiu. Nunca vou saber.

E não, eu não estou melhor. Não sou mais o mesmo desde então. Vivo uma dicotomia pessoal há quase um ano, sei quem sou, mas não me agrada nem um pouco. Hoje, tem muito mais de monstro do que de médico aqui dentro. Você não sabe como é acordar sentindo que o melhor de você não existe mais. Não sabe como é gostar e se apegar a novas ideias, novos rostos, novos nomes, mas no fundo não estar nem aí se eles vão estar vivos amanhã.

Eu não amo mais ninguém. Nem família, nem amigos, nem eu mesmo. Não ao ponto de me importar de verdade. Não ao ponto de me doar. Não ao ponto de me machucar pra evitar que outra pessoa se machuque.

A mão de quem muito trabalha fica calejada. Não se machuca mais, porém também perde a sensibilidade. E isso acontece com o coração de todo mundo que passa pelo que eu tenho passado, e não falo só de você, tem mil coisas acontecendo a todo momento: dinheiro, família, amigos. Tudo desabou de uma vez só. Poucos foram os que ficaram pra me ajudar. No final, apesar de eternamente grato a esses poucos, reconheço que nenhum deles conseguiu me ajudar de verdade.

Coisas boas aconteceram também, é verdade. Sou grato por elas. Mas pontos não consertam qualquer ferida. E mesmo a melhor das suturas sempre deixa uma cicatriz que você não esquece.

Aquela velha raiva que eu sentia de tudo voltou. Nunca me senti tão sozinho mesmo rodeado por dezenas de novas pessoas. Tento manter minha mente e meu corpo ocupados, há muito tempo abandonei o ócio, até mesmo nos momentos de descanso, sempre estou fazendo alguma coisa. Não adianta.

Eu voltei. O eu de verdade, aquele lá que você conheceu. No final, o monstro vence, o médico sai derrotado e o único jeito de acabar a história é matando os dois.

Não sinto sua falta. Sinto falta de quem eu era com você. Não consigo mais ser daquele jeito. Você levou embora a melhor parte de mim e, sinceramente, não sei o que mudou pra você e nem faço questão de saber, pra mim tanto faz.

Hoje tenho quase tudo que eu queria naquela época: alguns bons amigos pra compartilhar os momentos, um projeto onde faço o que gosto e um trabalho meia boca pra sustentar meus vícios. Hoje tenho mais inspiração do que nunca. Hoje sou mais inteligente e mais crítico do que jamais fui.

Mas já não é mais o bastante. No final, o prazer que isso me proporciona é muito pequeno em relação ao que sinto todas as noites antes de dormir. Hoje vejo maldade em todo lugar, hoje penso duas vezes antes de acreditar em qualquer um. Hoje não boto a mão no fogo por ninguém.

Meu ponto aqui não é te culpar, te julgar ou te atacar, mas somente alertar: você é responsável por aqueles que cativa. E acredite, preferia muito mais estar esfregando minha felicidade na sua cara, mesmo que fosse de mentira. Mas não é assim que as coisas são.

O vilão não é o cão que morde, mas aquele que conscientemente solta-o da coleira.