sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Um processo falho.

A vivencia está totalmente errada, conta-se nos dedos, entre a população mundial, quem sabe viver como um ser e usufruir de forma consciente o que existe nesse Planeta. Há um grande mal-estar no coração de todos, e por que? Porque diariamente, desde o primeiro segundo em que acordamos até o último em que caímos no sono somos pressionados pelos padrões, pelos caminhos já feitos que devemos seguir, pela necessidade de sobrevivência no meio dessa loucura chamada sociedade, e não temos escolha. Até mesmo nossos sonhos são poluidos pela pressão diária que sofremos, não conseguimos voar livremente nos sonhos, ficamos sempre presos a algum pesadelo, com medo, sem se mover. Há poluição e podridão por toda parte, em todas as pessoas. Todos esperam que você tenha um papel ou uma função importante de ordem civil, até mesmo os autônomos sofrem preconceito por não estarem na linha assinada do capital, e quando você não faz nada, é um vagabundo, uma pessoa de quinta. Você só é uma pessoa de respeito a partir do momento em que está inclinado para ajudar a desenvolver a merda capitalista.
Viver em sociedade enquanto todos ao redor te julgam, esperando o seu melhor como uma máquina? Ajuda mútua para o crescimento de nossos recursos para nossas próprias necessidades enquanto destruímos ao Planeta e a nós mesmos com ganancia e a falta de sensibilidade total para com os outros?
Ninguém olha para o seu interior, porque não tiveram tempo nem mesmo de aprender olhar para o próprio interior. Ninguém se conhece, apenas conhecemos o que nos deram para ler. Nós aprendemos a ser vazios desde o berço, quando nossos pais nos calam quando choramos, apenas para não fazer feio. Meninos são vistos como rebeldes quando fazem arte na rua, mas tudo o que eles querem é a liberdade, e tudo o que têm são os limites, e quanto mais limites, mais rebeldes.
A agressão está no nosso cotidiano, está no olhar de nossos pais enquanto nos esperam crescer com expectativa de sermos médicos, ao invés de esperar que haja o amor em primeiro lugar. Há uma troca, eles só te amam se você der um motivo assinado para isso, senão RUA, vagabundo!
Nossa confiança vale dinheiro.
Nós somos piores do que pensamos, porque até mesmo nossos pensamentos estão sendo enganados pelo conformismo.
Deixamos de ser animais para virarmos monstros vazios.
Essa é a maior doença que poderia haver em um Planeta. É uma vergonha cósmica.
Creio que se Deus existisse, ele mataria a todos, pois haja paciência para aguentar uma raça tão ruim.

Deveriamos viver comos seres, e somente.

domingo, 5 de agosto de 2012

1+1

Não me faltou coragem.

O sincretismo de todas as formas de amor é o que me torna forte. E eu prefiro ser engolido pelas chamas de uma vez a ter uma vida morna qualquer.

Eu não trocaria um beijo na chuva por toda riqueza do mundo.
Nós calamos o trovão.

E eles nunca vão entender isso. Nem você.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Across the Universe

Creio que o Universo é como uma célula viva de energia cósmica, e digo mais, não há só um Universo como vários, assim como os filamentos tridimensionais espalhados por todo canto, quisá quantas outras 30 dimensões existem e é cheio de particulas densas que nascem e explodem para formar a química quantica e temperar o espaço. Dentro da Célula existem vários corpos celestes deixando seus rastros e brilho, e fazendo suas funções para a evolução. Há incontáveis e infinitas constelações e movimentação na densidade escura a nossa volta, a prova está nos nossos limpos céus que restam. Nós somos menor do que um grão minúsculo, tão pequeno quanto uma bactéria para o que existe na totalidade, não estamos nenhum pouco sozinhos, porém saiba que a nossa consciencia se eleva tão alto quanto a expansão cósmica, e no caminho da auto-expansão há de se conhecer os cantos, planetas, luas, sóis, estrelas,  galáxias inteiras, ondas, luz e radiações com forças incognoscivel e buracos negros que nos levam ao outro patamar do desconhecido. A existência nos chama para conhecer o lugar onde vivemos e nos beneficiar em harmonia como tudo o que há depois da atmosfera civilizada terrestre, e ainda pensamos em comprar sapatos de cores diferentes para sermos mais bonitos e normalmente cotidianos do que os outros 7 bilhões de minusculos grãos de poeira que vivem conosco, e tambem agimos na maior parte do nosso tempo para economizar pedaços de papel que nos mantem circulando com redundancia.
Há algo muito errado com a maioria dos habitantes do nosso Planeta.
Eu poderia ousar que Darth Vader está por trás disso, mas hesito em respeito ao que adquiriu sabedoria através de ambas as forças, e se estivesse, certamente estaríamos sendo melhor controlados. Há só alguns idiotas por trás do nosso ciclo de crenças, devemos romper as limitações impostas.
Elevem-se, kids.

sábado, 7 de julho de 2012

E o broto há de surgir da lama.

Acontecimentos repentinos sempre são surpresas para nossas expectativas, fazendo-nos agir sem nenhum ensinamento ou previsão, e sejam eles bons ou ruins, sempre mudam as nossas perspectivas e nos colocam de frente a vários medos forçando-nos a escolhermos qual enfrentar para não pararmos de ultrapassar os chefes da nossa consciencia.
E para os que acham que não tem um caminho a seguir são porque suas perspectivas não se expandiram para enxergar as influencias que tocaram nossos corações por toda a história percorrida.
A morbidez é tão importante quanto o que chamamos de felicidade, pois somente passando pelos escuros pantanos e nos assustando com o sinistro e desconhecido grito de um corvo é que nos deparamos com a nossa real faceta que nada tem além de perceber como realmente somos sem espelhos ou expectadores. E devo-lhes lembrar, senhores, que a felicidade nada tem a ver com um sorriso no rosto, e sim o silencio interior que ecoa nos dando um certo brilho nos olhos e fazendo nossa compreensão ser ativada para tudo o que está e surge ao nosso redor.
Após adquirida as passagens para ambos os lados e pelas mais superficiais profundezas, você terá assinado seus pés com as poeiras, das mais sujas até as mais limpas, e a conclusão dessa assinatura existencial é a aceitação plena da solitude, que é a unica certeza que temos.
E o que buscar além disso será estampado em sua coleção do novo, como aprender a manipular naturalmente a natureza, ou apenas escrever de acordo com o seu alfabeto e por mais estreito que seja o caminho, a vastidão irá encaminhar suas intensas intenções ao vazio para que a máquina da alta consciencia humana nunca pare de girar.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A Ágora Maldita.

Não faço o tipo supersticioso. Não tenho medo de passar por debaixo de escadas, não tenho lado do travesseiro favorito pra dormir, não me preocupo em entrar nos lugares com o pé direito.

Não acredito que exista um deus, muito menos vários.

Mas existe uma coisa que me assombra, que me assusta, que me amedronta. Algo sobrenatural, inexplicável. Me persegue durante o dia, me acorda no meio da noite.

É a minha maldição. Minha habilidade de me colocar em situações complicadas, meu magnetismo em relação aos piores lugares do mundo. Mesmo que esteja em dois pólos que deveriam em teoria se afastar, a maldição faz com que o impossível aconteça.

E cá estou de novo. Dizem que o Inferno é quente. Meu inferno é quente, abarrotado de gente cosmopolitana, cristã e de cabeça fechada, que te olha de cima abaixo. Pessoas que te encaram com um improvável misto de inveja e pena.

Eu nasci no inferno quando ele ainda era apenas uma Califórnia de papel machê, cidade Potemkin do sucesso. Existem cabeças que não se adaptam, elas são excluídas. No Inferno, não há espaço para quem pense diferente. Vista as mesmas coisas, leia os mesmos livros, compre os mesmos discos.

A oportunidade de escapar surgiu e fugi como sempre quis. Mesmo que eu fosse a personalização da incerteza, sempre achei que minhas aspirações exigiam saltos maiores. Mas o Inferno é imutável, ou você leva o estilo de vida dele, ou foge e busca seu espaço em outros lugares.

Porém pela segunda vez desci ao inferno. Talvez porque parte de mim nunca tenha saído do Inferno. Talvez porque parte do Inferno nunca tenha saído de mim. Evitar rostos conhecidos é uma estratégia para sobreviver por aqui. Eu preciso de gente que finge que gosta de mim tanto quanto preciso de dentes no meu rabo.

Morei muito tempo aqui, nunca me senti em casa, mas depois de sair é diferente. Uma vez que saí do inferno e vi o mundo, voltar aqui é extremamente desgastante. Sinto-me sufocado pela hipocrisia e ignorância que me cercam. É constante o receio de ter que trocar sorrisos falsos com pessoas que acham que fizeram parte da minha vida.

A maldição me trouxe de volta. Mas meu contrato com o demônio já está no fim.

Espero vocês no lado de fora, onde o ar é mais fresco e posso ser realmente quem sou.

"I hate this town
It's so washed up
And all my friends
Don't Give a fuck
They'll tell me that it's just bad luck
When will i find where i fit in?"

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ego Invisível


No momento do salto, eu flutuo. O chão parece distante e os pés não conseguem alcançá-lo. O suor gelado, o coração acelerado, o corpo suplicando pelo fim de toda dor.

Me sinto carregado por um milhão de luzes e sufoco querendo ficar.
Eu imploro que me deixem, eu suplico que me perdoem. Rezo aos céus que me ajudem.

Ninguém responde.
Deus desapareceu no rodapé dos quadrinhos. Talvez naquela página que pulei. Talvez na biblioteca da escola. Talvez nos comerciais da TV.

Já nem lembro o rosto dos amigos. Daqueles que diziam ser pra sempre, mas acabaram entrando em outra. Um que arranjou uma namorada, outro que mudou de cidade. Outro que enfia o nariz carreira após carreira, sem rumo e incontrolável. Talvez eu nem esteja tão mal não é?

Meu humor segue tornando a minha vida menos dolorosa há duas décadas e meia.

Agora me arrependo. Não tive baile de formatura, não tive uma namorada líder de torcida como nos filmes dos adolescentes americanos com nerds com óculos fundo de garrafa colados com fita e jogadores de futebol com jaquetas legais.

A escola foi difícil pra alguns. Ser gordo ou sardento pode fazer da sua vida um inferno hoje em dia. Mas não aconteceu comigo. Eu não. Eu passei imperceptível. Não estive em nenhum Workshop, em nenhuma festa, em nenhum trote, em nenhuma foto de turma. Totalmente invisível. Talvez seja melhor assim, não sentirão minha falta.

Hoje sinto pena dos meus professores. Daqueles que diziam que eu tinha um futuro brilhante. Ah se me vissem aqui. Perdido e pairando sobre o chão de linóleo.
Que decepção!

Não posso falar mais, meu tempo está acabando. Minha capacidade cognitiva se vai com a redução do oxigênio no cérebro. Nesse momento eu me lembro de um Parque de Diversões da minha cidade onde uma vez eu me perdi. Acredito que nunca mais me encontraram. Até agora.

Saibam que fiz o meu melhor, me perdoem pelos meus erros, mas reconheçam meus acertos. Viver anônimo e morrer anônimo. Não acredito que seja o plano de ninguém, mas é o que há para hoje.

Espero que tenha errado o nó da forca.



"A sabedoria ilumina meu caminho na escuridão
suas palavras; a melodia que me leva
Nós não podemos fazer a mudança
até sabermos quem nós somos"

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Efermo.

Nas noites de insônia, inquieto e inseguro. Na cama, soterrado debaixo das cobertas, a cabeça enterrada no travesseiro, porém muito distante de onde os olhos podiam alcançar. Olhos que viam somente o que permitia a escuridão, interrompida somente pelo feixe de luz que entrava pela fresta da porta. Mas viam o bastante para enxergá-los.

Malditos inquilinos da noite, no pé da cama, dentro do guarda-roupa, e na janela. Com suas mãos gélidas e ásperas, asquerosos e renegados pensamentos deixados para trás na putrefação. Mortos. Pelo menos era o que pensava. Por mais que se esforce para que não te sigam até sua casa, eles acham o caminho, eles sempre voltam para te atormentar nas noites frias.

Já próximos de mim, podia observar as órbitas vazias de seus olhos que nada mostram, nada escondem, mas hipnotizam de maneira surreal a ponto de me deixar paralisado. O que eu vejo é real? Eu duvido: a barreira entre a loucura e a sanidade foi quebrada há muitos anos debaixo da chuva.

Com a voracidade de sempre, eles invadem meus sonhos e se tornam donos daquilo que um dia foi meu. Já não respondo mais por mim - deveria em algum momento?

Eles voltaram.
Até quando eu não sei.

Sei que em algum momento irão embora. Mas eles sempre deixam lembranças da visita.