sábado, 7 de julho de 2012

E o broto há de surgir da lama.

Acontecimentos repentinos sempre são surpresas para nossas expectativas, fazendo-nos agir sem nenhum ensinamento ou previsão, e sejam eles bons ou ruins, sempre mudam as nossas perspectivas e nos colocam de frente a vários medos forçando-nos a escolhermos qual enfrentar para não pararmos de ultrapassar os chefes da nossa consciencia.
E para os que acham que não tem um caminho a seguir são porque suas perspectivas não se expandiram para enxergar as influencias que tocaram nossos corações por toda a história percorrida.
A morbidez é tão importante quanto o que chamamos de felicidade, pois somente passando pelos escuros pantanos e nos assustando com o sinistro e desconhecido grito de um corvo é que nos deparamos com a nossa real faceta que nada tem além de perceber como realmente somos sem espelhos ou expectadores. E devo-lhes lembrar, senhores, que a felicidade nada tem a ver com um sorriso no rosto, e sim o silencio interior que ecoa nos dando um certo brilho nos olhos e fazendo nossa compreensão ser ativada para tudo o que está e surge ao nosso redor.
Após adquirida as passagens para ambos os lados e pelas mais superficiais profundezas, você terá assinado seus pés com as poeiras, das mais sujas até as mais limpas, e a conclusão dessa assinatura existencial é a aceitação plena da solitude, que é a unica certeza que temos.
E o que buscar além disso será estampado em sua coleção do novo, como aprender a manipular naturalmente a natureza, ou apenas escrever de acordo com o seu alfabeto e por mais estreito que seja o caminho, a vastidão irá encaminhar suas intensas intenções ao vazio para que a máquina da alta consciencia humana nunca pare de girar.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A Ágora Maldita.

Não faço o tipo supersticioso. Não tenho medo de passar por debaixo de escadas, não tenho lado do travesseiro favorito pra dormir, não me preocupo em entrar nos lugares com o pé direito.

Não acredito que exista um deus, muito menos vários.

Mas existe uma coisa que me assombra, que me assusta, que me amedronta. Algo sobrenatural, inexplicável. Me persegue durante o dia, me acorda no meio da noite.

É a minha maldição. Minha habilidade de me colocar em situações complicadas, meu magnetismo em relação aos piores lugares do mundo. Mesmo que esteja em dois pólos que deveriam em teoria se afastar, a maldição faz com que o impossível aconteça.

E cá estou de novo. Dizem que o Inferno é quente. Meu inferno é quente, abarrotado de gente cosmopolitana, cristã e de cabeça fechada, que te olha de cima abaixo. Pessoas que te encaram com um improvável misto de inveja e pena.

Eu nasci no inferno quando ele ainda era apenas uma Califórnia de papel machê, cidade Potemkin do sucesso. Existem cabeças que não se adaptam, elas são excluídas. No Inferno, não há espaço para quem pense diferente. Vista as mesmas coisas, leia os mesmos livros, compre os mesmos discos.

A oportunidade de escapar surgiu e fugi como sempre quis. Mesmo que eu fosse a personalização da incerteza, sempre achei que minhas aspirações exigiam saltos maiores. Mas o Inferno é imutável, ou você leva o estilo de vida dele, ou foge e busca seu espaço em outros lugares.

Porém pela segunda vez desci ao inferno. Talvez porque parte de mim nunca tenha saído do Inferno. Talvez porque parte do Inferno nunca tenha saído de mim. Evitar rostos conhecidos é uma estratégia para sobreviver por aqui. Eu preciso de gente que finge que gosta de mim tanto quanto preciso de dentes no meu rabo.

Morei muito tempo aqui, nunca me senti em casa, mas depois de sair é diferente. Uma vez que saí do inferno e vi o mundo, voltar aqui é extremamente desgastante. Sinto-me sufocado pela hipocrisia e ignorância que me cercam. É constante o receio de ter que trocar sorrisos falsos com pessoas que acham que fizeram parte da minha vida.

A maldição me trouxe de volta. Mas meu contrato com o demônio já está no fim.

Espero vocês no lado de fora, onde o ar é mais fresco e posso ser realmente quem sou.

"I hate this town
It's so washed up
And all my friends
Don't Give a fuck
They'll tell me that it's just bad luck
When will i find where i fit in?"

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ego Invisível


No momento do salto, eu flutuo. O chão parece distante e os pés não conseguem alcançá-lo. O suor gelado, o coração acelerado, o corpo suplicando pelo fim de toda dor.

Me sinto carregado por um milhão de luzes e sufoco querendo ficar.
Eu imploro que me deixem, eu suplico que me perdoem. Rezo aos céus que me ajudem.

Ninguém responde.
Deus desapareceu no rodapé dos quadrinhos. Talvez naquela página que pulei. Talvez na biblioteca da escola. Talvez nos comerciais da TV.

Já nem lembro o rosto dos amigos. Daqueles que diziam ser pra sempre, mas acabaram entrando em outra. Um que arranjou uma namorada, outro que mudou de cidade. Outro que enfia o nariz carreira após carreira, sem rumo e incontrolável. Talvez eu nem esteja tão mal não é?

Meu humor segue tornando a minha vida menos dolorosa há duas décadas e meia.

Agora me arrependo. Não tive baile de formatura, não tive uma namorada líder de torcida como nos filmes dos adolescentes americanos com nerds com óculos fundo de garrafa colados com fita e jogadores de futebol com jaquetas legais.

A escola foi difícil pra alguns. Ser gordo ou sardento pode fazer da sua vida um inferno hoje em dia. Mas não aconteceu comigo. Eu não. Eu passei imperceptível. Não estive em nenhum Workshop, em nenhuma festa, em nenhum trote, em nenhuma foto de turma. Totalmente invisível. Talvez seja melhor assim, não sentirão minha falta.

Hoje sinto pena dos meus professores. Daqueles que diziam que eu tinha um futuro brilhante. Ah se me vissem aqui. Perdido e pairando sobre o chão de linóleo.
Que decepção!

Não posso falar mais, meu tempo está acabando. Minha capacidade cognitiva se vai com a redução do oxigênio no cérebro. Nesse momento eu me lembro de um Parque de Diversões da minha cidade onde uma vez eu me perdi. Acredito que nunca mais me encontraram. Até agora.

Saibam que fiz o meu melhor, me perdoem pelos meus erros, mas reconheçam meus acertos. Viver anônimo e morrer anônimo. Não acredito que seja o plano de ninguém, mas é o que há para hoje.

Espero que tenha errado o nó da forca.



"A sabedoria ilumina meu caminho na escuridão
suas palavras; a melodia que me leva
Nós não podemos fazer a mudança
até sabermos quem nós somos"

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Efermo.

Nas noites de insônia, inquieto e inseguro. Na cama, soterrado debaixo das cobertas, a cabeça enterrada no travesseiro, porém muito distante de onde os olhos podiam alcançar. Olhos que viam somente o que permitia a escuridão, interrompida somente pelo feixe de luz que entrava pela fresta da porta. Mas viam o bastante para enxergá-los.

Malditos inquilinos da noite, no pé da cama, dentro do guarda-roupa, e na janela. Com suas mãos gélidas e ásperas, asquerosos e renegados pensamentos deixados para trás na putrefação. Mortos. Pelo menos era o que pensava. Por mais que se esforce para que não te sigam até sua casa, eles acham o caminho, eles sempre voltam para te atormentar nas noites frias.

Já próximos de mim, podia observar as órbitas vazias de seus olhos que nada mostram, nada escondem, mas hipnotizam de maneira surreal a ponto de me deixar paralisado. O que eu vejo é real? Eu duvido: a barreira entre a loucura e a sanidade foi quebrada há muitos anos debaixo da chuva.

Com a voracidade de sempre, eles invadem meus sonhos e se tornam donos daquilo que um dia foi meu. Já não respondo mais por mim - deveria em algum momento?

Eles voltaram.
Até quando eu não sei.

Sei que em algum momento irão embora. Mas eles sempre deixam lembranças da visita.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

FITO, su puto.

Antes de mais nada, queria dizer aqui que dedico esse post ao PT do FT, e não, não é o partido trabalhista e blá blá blá, é ao puto do fito, mesmo.
A violência está presente nos jovens não é mesmo? É fruto da irmandade! E o que seria da vida sem ter um irmão imaginário pra enxer o saco? Nada, pois há uma polaridade em tudo, inclusive no humor e nas relações pessoais... Algumas pessoas conversam sobre jogos, outras sobre roupas, outras sobre carros, comidas, ou sobre como vai a vida dos seus conhecidos e vizinhos, ou seja, aquela coisa magnamicamente inútil. Já eu tenho um brotherzinho que compartilha dos meus pensamentos mais insanamente sóbrios, nós falamos sobre coisas que realmente mudam nossas mentes, por exemplo: A bolsa de valores, a economia da safra de arroz tipo preto de outubro de 1959 do Zimbabue(se recuperando no pós guerra e suas intrigas civis contra os koreanos), falamos sobre os assuntos que estão enterrados a palmos incontáveis abaixo da terra pelas bocas humanas e também sobre as xinxilas tibetanas, falamos sobre Playmobil. Lembro-me como se fosse hoje daquela festinha na cam que fizemos, Tu, Doda, Uri, Craudio, Até a poly apareceu. Foi uma festa que ficará marcada na história da guerras mundiais, me recordo de todos com uma camisa na cabeça fazendo movimentos bruscos e encenações de Terroristas com armas imaginárias na mão.
Vito, como voce pode ver, como um irmão de fuga social, foi muito importante na influencia da formação do caráter minha vida. Até temos um blog com o nome de uma música do Bad Religion.
Te admiro pra caralho, pois você é um Alien nessa civilização, poderia estar incluso na capa do Among The Living do Anthrax. Parabéns, o Sol natal do seu Mapa Astral está na mesma posição que estava em seu nascimento. Que data querida! Quanto aos anos de vida, bom, viva o quanto você quiser, sacomé essa humanidade, mas enquanto isso continue a fazer diferença para a inconsciencia e continue sendo quem você é, manolo. Continue escrevendo também, não deixe de entrar para a história dos contos fracassados de pessoas que viveram como aliens. Senão dou-lhe um pé'douvido.
E nunca, jamais, esqueça dos irmãos. E mano, aproveite as montanhas mineiras como se não houvesse o amanhã, você merece tudo isso.
Fl

terça-feira, 27 de março de 2012

Divergência de caráter.


O principal mal do século.
Estamos no inicio de sentir o gosto da "Liberdade", ou no inicio de uma nova Era que se diferencia da bruta repressão que a ordem majoritária sempre impôs, ao menos hoje as pessoas tem o direito de dizer o que pensam, a tal Liberdade de expressão, e o que estão dizendo por aí? Acabamos de sair do pós guerra, onde nossos pais e outras pessoas da geração passada lutaram para conseguirem ser mais livres, davam tudo o que tinham por exibir suas idéias. A geração atual deve se achar muito avançada e desenvolvida para pararem seus cérebros e usá-los apenas através de máquinas e gravações de memória.
Tudo o que vem fácil, vai fácil, inclusive pensamentos e ideais. A "liberdade" está sendo usada de uma forma burra ou há alguma outra ordem majoritária deixando as pessoas alienadas? Eu poderia citar a tv e o ciclo vicioso de conteúdo repetitivo da internet, mas é mais do que isso: É o conformismo mental, o egocentrismo no seu auge por trás de todo o ser humano. A evolução mais visivel do humano nos dias de hoje é a sua auto-imagem, ela foi criada e centrada de uma forma elevada, as pessoas já não sabem quem são e nem o que realmente querem, tudo se é copiado da noite pro dia, inclusive personalidades e gostos, a fácil acessibilidade levou ao fácil carater em massa. Nós nascemos com leis pré concebidas sobre as limitações humanas, e é aí que paramos automaticamente, não ultrapassamos os limites do "possível" e ainda nos achamos especiais...
Há uma grande ilusão acerca da massa, e essa ilusão se chama Realidade, ela é tão falsa que ainda dizem que só há uma realidade nesse mundo. Nós nos achamos tão especiais, mas se conseguirmos enxergar além, veremos que nunca saimos do lugar, nunca lutamos por algo maior do que alimentar o nosso Ego durante a nossa vida inteira, e até quando vai essa mentira? Para mim, não há ilusão maior do que a realidade moderna, é um grande plano nascer acreditando em um mundo melhor, porque aí você apenas se senta e faz o seu capital circular...Não aprendemos mais a crescer sozinhos, temos um manual pronto para isso, e ele pode ser achado até no google.
As personalidades se tornam confusas, inconstantes e falsas.

sábado, 24 de março de 2012

Abundância.


Ao que interessa? Talvez o que interessa para cada um de nós seja o que impulsiona cada desejo que está por trás da nossa verdadeira máscara. É daí onde se origina o começo do destino, o calculo antecipado de passos já pensados que, tolamente, acreditamos na nossa certeza. Há tempos pensamos que pouco sabemos, e cada dia que passa temos provas de que existe um oceano de sabedoria a ser adquirida e somos tão pequenos que na visão imensidão de todo canto secreto e obscuro do cosmo, somos quase invisíveis. O conformismo da expansão mental é a decadencia do ser humano, é a aceitação da lavagem comercial e de entretenimento (leia-se distração) sem conteúdo. Liberte os espelhos da auto reflexão e o peso dos dogmas.